Marujos Fragata Brasileira

Não é possível conhecer a historicidade desta manifestação cultural Saubarense, estabelecendo uma data precisa de sua formação. O que há de concreto sobre a sua existência, são os relatos oriundos das memórias dos membros mais velhos, seus continuadores.

Toda a apresentação da Chegança é cantada. O pandeiro é utilizado como instrumento musical e rítmico e de acordo com os seus participantes, a história acontece em torno das lutas em defesa das terras baianas.

O nome Fragata Brasileira é uma homenagem à Marinha Brasileira. A batalha acontece em alto mar, para impedir que as tropas inglesas e francesas invadam as nossas terras por meio do litoral e em defesa também da coroa.

No final da luta e sua vitória, a bandeira é conduzida a Pirajá (Salvador), lugar onde aconteceu a batalha real pela independência baiana. Vimos então, uma relação profunda desta manifestação cultural com a história da independência oficialmente contada.

Após a conquista, os marujos fazem uma reverência na igreja como agradecimento a São Domingos de Gusmão, que é o padroeiro da cidade, “…Chegamos  amigos chegamos,  com gosto  e contentamento, vamos fazer reverência, ao Divino Sacramento…” diz a canção.

Em relação aos seus componentes, cada um representa um  cargo  e uma função dentro da Chegança.

Um dos seus membros mais velhos é o Senhor Antonio Venceslau dos Santos, conhecido como Seu Delau, que hoje possui 92 anos, e segundo ele, participa da Chegança desde menino, e já foi calafatinho e guarda-marinha.

Seu Delau conta que começou a gostar da brincadeira pela influência do tio Zacarias, do primo Antonio e do irmão Dionísio. Alguns deles são os integrantes mais antigos da Chegança.

O Sr. João Antonio das Virgens, o seu João de Iaiá, começou a fazer parte aos 13 anos de idade e hoje está com 72. Atualmente não participa mais.

Foi da mesma época que o Sr. Zinoel, Codó, Seu mundinho, Seu Bispo, Seu Cachecol, Seu Gregório, Pedro de kekeu, alguns destes já falecidos.  Outro membro importante desta formação é o senhor Luis Fernando dos Santos, Seu Guga, e já faz parte há 27 anos e hoje tem 60. É presidente na administração e nas apresentações tem o cargo de general.

A senhora Joselita Moreira da Cruz Silva, Dona Jelita, é praticamente a madrinha da Chegança há uns 40 anos, segundo a mesma. Possui uma atividade muito importante de apoio e representação da Chegança em outras localidades. Foi importante também, na construção da sede de ensaios, administração e reuniões dos membros.