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I Encontro de Cheganças da Bahia exibe filme na praça

docmarujadas_baixaA noite de 2 de agosto, no I Encontro de Cheganças da Bahia foi preenchida pelas luzes da exibição do doc Marujadas, da série Bahia Singular e Plural, da TVE. O documentário, produzido em 2000, é dirigido por Josias Pires, que acompanhou a exibição e conta, rapidamente sobre seu convívio com as Marujadas.

Marujadas de Saubara: Como foi seu primeiro contato com as Marujadas?
Josias Pires: Conheci as Marujadas na década de 80. Eu trabalhava em Camaçari, que era área de segurança nacional, na época da ditadura. Depois, quando teve a primeira eleição, Capinan foi secretario de Cultura e nós fizemos um levantamento das manifestações. Nessa época a Marujada de lá estava desarticulada. O trabalho foi retomado, passamos a frequentar os ensaios lá em Camaçari. E eu comecei a estudar a cultura popular na biblioteca de Capinan. Eu li Sílvio Romero, Mário de Andrade… Organizamos o livrinho cultura popular em cada lugar sobre a Marujada. A estrutura do espetáculo, o texto.

Marujadas: Onde foi filmado o documentário?
JP: Filmamos em Paratinga, Saubara, Prado e Jacobina. Eram as referências que a gente tinha de Marujadas. Na época, a obra de Nelson de Araújo já dava algumas pistas de onde estavam as Marujadas na Bahia. Nós fomos seguindo essas pistas.

Marujadas: O que aproxima e distingue as representações de Marujadas nesses lugares?
JP: A série tem três documentários relacionados às Marujadas. São encontrados alguns tipos de representação. A Chegança de Marujos e Cheganças de Mouros. O que distingue esses dois tipos é que na de Mouros aparecem mais personagens, além dos Marujos, cantando. Os personagens representam a oficialidade da Marinha. Essas distinções, inclusive já aparecem na obra de Mário de Andrade. A outra representação é o Corte de Cristãos e Mouros ou Luta de Cristãos e Mouros. Nessa modalidade faz-se o enfrentamento verbal com as espadas, fazendo uma representação da guerra. A música é, em geral, instrumental com gaitas e tambores. Esse, das Marujadas, é uma colagem dos vários grupos.

Marujadas: Como você percebe essa movimentação para o reconhecimento e registro das Marujadas como patrimônio do Estado?
JP: Patrimônio já é. O reconhecimento pode ajudá-los a se organizar melhor sem dever favores a ninguém. Em Jacobina, a Marujada foi incluída como Patrimônio na Lei Orgânica do Município. A prefeitura torna-se obrigada a manter o grupo funcionando. A manutenção passa a ser uma obrigação. Nesses processos de registro, é preciso seguir cuidando. Dedicar atenção às consequências que tem para os grupos. Pensar a política de cultura e valorização de mestres, articulada com as demais políticas de educação, saúde, habitação.

Marujada para Patrimônio Imaterial

O I Encontro de Cheganças da Bahia começou hoje, dia 2 de agosto, dizendo, e muito, a que veio. Os mestres e mestras dos sete grupos de Chegança ou Marujadas reunidos na sede do grupo Chegança dos Marujos Fragata Brasileira, em Saubara, embalaram a tarde com uma roda de conversa descontraída.

Mas o papo foi sério. E eles, reunidos assinaram juntos o ofício para encaminhar ao IPAC, solicitando a abertura do processo de avaliação dos grupos de Chegança e Marujada para seu possível reconhecimento como Patrimônio Cultural da Bahia, inscrito no Livro do Registro Especial das expressões Lúdicas e Artísticas.

Rosildo do Rosário, coordenador do grupo Fragata Brasileira, hoje com 36 anos, saiu na Fragata pela primeira vez aos 3 anos. Conheceu outros grupos de Marujada quando participou do vídeo documentário Marujadas, de Josias Pires, realizado pelo Governo do Estado da Bahia.

Os intercâmbios de saberes somados à sua experiência com o processo de reconhecimento do Samba de Roda como patrimônio imaterial o levou a buscar os meios de organizar esse mesmo processo com as Cheganças da Bahia.

Os mestres e mestras pela primeira vez reunidos narraram seus percursos e contaram com o apoio de pesquisadores que há muito tempo acompanham suas caminhadas, como é o caso de Josias Pires (autor do documentário Marujadas) e Ralph Wader (que está organizando o seu acervo próprio sobre manifestações populares do Recôncavo Baiano).

Para Wader, qualquer manifestação desse tipo é uma declaração de quem somos e reconhece no movimento inaugurado hoje uma importante afirmação  disso.

“Conheci Rosildo como Calafatinho e a manutenção do seu nexo com a Marujada demonstra que isso é uma construção que vem de dentro de casa”.

Dona Joselita, tia de Rosildo, lembra que foi muito difícil enfrentar os preconceitos quando decidiu se dedicar à Marujada. “Fui muito criticada aqui em Saubara e fui muito ajudada por Ralph, Fred Souza Castro, Cid Teixeira e outros que me ajudaram a levar a Marujada para Salvador. Hoje Rosildo está na luta para levar esse trabalho adiante. Os jovens já não se interessam por essa movimentação, então esses coroas precisam aguentar por mais tempo para que isso não morra”.

Juntos assinaram a ata da reunião e o ofício para encaminhar aos órgãos responsáveis:

José Alves de Jesus, conhecido como Djalma, Chegança de Mouros Barca Nova de Saubara, Elisabete de Souza, 70 anos, Chegança de Mouros Feminina de Arembepe, José Carlos Silva de Paula da Chegança Marujada de Jacobina, Antonio Borges Nascimento, Chegança Marujada de Cairu, Luis Fernando dos Santos e Roque Antonio da Silva,  Chegança dos Marujos Fragata Brasileira, Aurelita Rocha de Jesus e Tania Regina da Silva Santos, Chegança Feminina de Mouros Barca Nova.

O Encontro de Cheganças é uma realização da Associação de Chegança dos Marujos Fragata Brasileira, com financiamento do  Governo da Bahia/Fundo de Cultura/Edital Demanda Espontânea e apoio de Petrobras, Casa do Samba Sambadeira Frazinha, Prefeituras Municipais de Saubara, Jacobina, Camaçari, Cairu, Colônia de Pescadores Z-16, IPHAN, Fundação Cultural, ASSEBA, Centro de Culturas Populares e Identitárias.

Convite

PrintA Associação Chegança dos Marujos Fragata Brasileira e seus parceiros têm a honra de apresentar o seu novo site e de convidar V. Sa. para participar do I Encontro de Chegança da Bahia.

O grupo Fragata Brasileira de Saubara reúne, de forma inédita, alguns dos grupos baianos, para celebrar, com um belíssimo espetáculo pelas ruas da cidade, essa expressão que é uma importante marca da história e identidade dessas comunidades.

É também durante o Encontro que os grupos construirão os documentos para solicitar ao Estado o Reconhecimento das Cheganças e Marujadas como Patrimônio Cultural da Bahia.

Papo de Mestre, e de Mestra

Nada mais justo do que uma roda de conversa entre mestres e mestras para abrir a programação do I Encontro de Cheganças da Bahia, no dia dia 02 de agosto de 2013, às 14h, na sede da Chegança Fragata Brasileira.

“Promover essa conversa é criar uma oportunidade para que os mestres e mestras se conheçam e possam trocar experiências e saberes”, diz Rosildo Rosário, organizador do Encontro. Na oportunidade, também será discutida a possibilidade de encaminhar, coletivamente o pedido para o reconhecimento das Cheganças como Patrimônio Cultural da Bahia e do Brasil.

Para celebrar, a programação prevê um belíssimo espetáculo pelas ruas da cidade. Uma mostra do porque essa expressão é uma importante marca da história e identidade das comunidades em que há grupos organizados.

Acompanhe a programação > 

I Encontro de Cheganças exibe doc Marujadas

Depois da Roda de Conversa com os mestres e mestras, que acontece no dia 2 de agosto, às 14h, no I Encontro de Cheganças da Bahia, em Saubara, será exibido o documentário Marujadas, de Josias Pires, parte da série Bahia Singular e Plural realizada pela TVE-Bahia.

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