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NOSSA HISTORIA NOSSA IDENTIDADE – REVITALIZANDO A MARUJADA

Premiado no EDITAL DE SELEÇÃO PÚBLICA Nº 01, DE 26 DE ABRIL DE 2018 CULTURAS POPULARES: EDIÇÃO SELMA DO COCO – MINISTÉRIO DA CULTURA DA CIDADANIA E DA DIVERSIDADE CULTURAL. Tem como objetivo realizar:

• SEMINÁRIO SOBRE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL;

Palestrante 1: DINHO DINIZ – Escultor e Restaurador de Patrimônio Tombados e Edificados.
Tema: Patrimônio Cultural Material

Palestrante 2: ROSILDO DO ROSÁRIO – Mestre da Chegança dos Marujos Fragata Brasileira de Saubara e Coordenador da Rede de Cheganças e Marujadas da Bahia.
Tema: Patrimônio Cultural Imaterial (indagável)

Mediador do Seminário: João Pereira de Souza Filho – Educador, Militante Cultural, Assessor Cultural, Cantor e Compositor.

Atração Artística: Samba de Roda

Data: 08/06/2019
Local: CTL da Igreja de Santo Antonio
Horário: 8:00 hs

• I ENCONTRO DAS MARUJADAS E CHEGANÇAS DO TERRITÓRIO VELHO CHICO;

Estarão presentes o grupo da Marujada de Chegança – Bom Jesus da Lapa/BA, Chegança dos Marujos Fragata Brasileira – Saubara/BA, Marujada do Mangal Barro Vermelho – Sitio do Mato/BA e a anfitriã Marujada do Divino Espírito Santo – Paratinga/BA.

Data: 08/06/2019
Local: Saída do Cortejo da Praça da Bandeira no Tomba
Horário: 17:00 hs

APOIO CULTURAL

Governo Municipal de Paratinga – BA
Secretaria de Cultura e Promoção da Igualdade Racial
Secretaria Municipal de Educação
Assessoria de Comunicação
Paróquia de Santo Antonio
Rede das Marujadas e Cheganças da Bahia
Governo Municipal de Saubara – BA
Governo Municipal de Bom Jesus da Lapa – BA
Governo Municipal de Sitio do Mato – BA

PACEIROS(A) CULTURAIS:

Jaysa Rocha
Ivoneth Galvão
Dr. Erico Brandão
Vereador Toge
Dra. Amenaide
Paulo Rego

REALIZAÇÃO: Marujada do Divino Espírito Santo de Paratinga
PROPONENTE: Mestre Antonio Damião
COORDENADOR: Uilian Bispo

V Mostra do Samba de Saubara

A V Mostra do Samba de Saubara em 2019 homenageia três mestre do Samba de Roda que muito contribuíram para preservação desta manifestação. Um singelo reconhecimento da comunidade do Samba para Jelita, Vortinha e Lori.

Jelita – Samba das Raparigas
Filha e Oxum, carregava todas as suas características e funções. O rio era seu lugar preferido na água doce era seu lugar preferido. Com amor exagerado acolhia intimamente todos que se aproximava, sua beleza revelava a face mais atraente de sua orixá. De um jeito bastante peculiar
ajeitava tudo com palavras e ações de uma grande líder e quando vestia amarelo era ela a dona da riqueza. Nasceu no Catu uma comunidade formada por negros que fugiram da escravidão dos arredores de Cachoeira e de Santo Amaro. Desde cedo trabalhava na agricultura e pesca para
ajudar na criação de seus irmãos. Cresceu numa família rasteira e festejar era o que sabia fazer de melhor. Samba de Roba, Cheganca, Terno de Reis, Reisados, Ranchos, Bumba-Meu-Boi, Cantiga de Roda, Capoeira. Tudo isso era de seu universo. Foi dançarina do lendário grupo Cultural de Mestre Bimba, Madrinha da Cheganca Fragata Brasileira de Saubara, foi uma das
Mestras que colaborou com o processo de Registro Do Samba de Roda Obra Prima Da Humanidade, tema de diversos trabalhos acadêmicos (Katharina Doring, Claudia Lora), gravou dois CDs com o grupo Samba das Raparigas, participou dos documentários Cantador de Chula e Mulheres do Samba, foi uma das Mestras citadas no catálogo Sambadores e Sambadeiras da Bahia, citada na revista Afro-Brasilian Percussion Guide. Foi uma das Mestres que contribuiu e participou do Projeto de registro das Chegancas de Saubara “Eta Marujada”. O que seria da Marujada Saubara se não tivesse a participação de Jelita, como Exu abriu os caminhos dando ao grupo a visibilidade que hoje desfruta. No Samba de Roda cantava como se tivesse me dando um recado, melhor me dava sempre a mesma lição ” POR CIMA DO MEDO, POR CIMA DO MEDO, CORAGEM”. E é assim que sigo. Na rede do Samba era a referência de nossa comunidade para o mundo, com brilhantismo criou o Samba Mirim da Vovó Sinhá, destaque no meio cultural, incentivou a criação da Cheganca Mirim o que nos rendeu dois prêmios (Ministério da Cultura- Ponto de Memória e Secretaria de Cultura do Estado da Bahia- Pontinho de Cultura) Recentemente foi uma das 16 mulheres pesquisadas e teve uma pequena mas, valiosa parte de sua vida contada no material “MULHERES DO SAMBA DE RODA” um projeto que
tive a honra de coordenar juntamente com Luciana Barreto, o material mais importante que conseguir produzir nesses anos. Fica registrado sua opinião sobre problemas sociais graves de nossa sociedade. Saubara perde uma de suas grandes referência como Agente Cultural, Mulher Negra, Yalorixa, Mestra da Cultura Popular. Hoje fica tudo mais alegre no céu com Jelita é diversão na certa. Vai para sempre uma pessoa que só nos deixa momentos bons na lembrança.

Vortinha – Samba Raízes de Saubara
Vortinha, nasceu no dia 01 de março de 1959 e dez dias após completar seu 60 anos, ele nos foi arrancado de forma violenta. O Samba de Roda de Saubara sangrou quando soubemos da notícia de sua morte, foi atingido por tiros em sua residência na roça onde morava. A cultura popular sendo alvo da violência que assola os dias atuais. Antonio Carlos dos Santos era seu nome de batismo, uma das atuais referências do Samba de Roda de Saubara, colaborou fortemente para o desenvolvimento do plano de Salvaguarda do Samba, nos ensinou a cantar chulas, relativos, sambas corridos. Seu repicar de pandeiro jamais será ouvido mesmo que um daqueles que com ele aprendeu tente o imitar. Aprendeu a sambar com seus pais que desde cedo o levava para as rezas e carurus de São Cosme e Damião. Vortinha também era membro da Chegança dos Marujos Fragata Brasileira, tanto na chegança quanto no Samba era dono de uma voz diferenciada. Inicialmente era membro do Grupo de Samba das Raparigas e com todo a movimento que ocorreu com o Samba a partir de seu reconhecimento como Patrimônio da Humanidade criou o Grupo de Samba Raízes de Saubara. Com o Samba de Roda participou como mestre da Cartilha do Samba Chula, participou da gravação do primeiro CD do grupo das Raparigas, gravou o CD do grupo Raízes de Saubara e gravou para o projeto Mestre Navegantes, com a Chegança participou de inúmeros projetos dentre a gravação do CD do grupo, participou do catálogo e documentário Êta Marujada e também no Projeto Mestres Navegantes.

Mestre Lori – Samba das Raparigas
Florisvaldo Santos Vieira mais conhecido na comunidade como Lori, nasceu no ano de 1935 no distrito de São Tiago do Iguape município de Cachoeira, filho de Seu Inocêncio e Dona Maria Simão, sua infância foi vivida na roça uma localidade chamada Catu (um quilombo) onde inúmeras famílias se constituíram durante o período da escravatura, fugindo dos engenhos dos arredores de Santo Amaro e Cachoeira. Como quase todos que viviam no Catu sua família também migrou para Saubara onde ele constituiu família, teve quatro filhos dentre eles Professor Domingos Vieira o popular Reggo. Durante sua vida teve várias atividades, comerciante,
pescador, apicultor, mas foi a agricultura sua principal atividade. Seu envolvimento com o Samba de Roda acontece desde cedo, pois é descendente de uma família tradicional, seu pai era um exímio violeiro e animava as rodas de Samba na Saubara de outrora. Lori tocava um pandeiro de forma peculiar era adepto do Samba de Parada cantava uma chula como ninguém gostava de machucar no seu cantar:
 

Ê galo teimoso
Que canta fora de hora,
Galo não monta cavalo
Pra que galo quer espora?

Da boca a fora
Todo mundo quer dizer,
Mas o método do Samba
Ô rapaz
Você tem que aprender.


Lori participou da Gravação do cd do Grupo Samba das Raparigas no projeto Sambadores e
Sambadeiras da Bahia. Estava sempre disposto à um Samba. Contava suas histórias vividas na
roça com a alegria de quem encontrara no Samba sua maior felicidade.

Jelita, Vortinha e Lori  se juntam a outros Sambadores e Sambadeiras de Saubara (Frazinha, Deco, Branca, Mundinho, Sinhá, Mário, Marcelo, Valentin, Janinha, Lourenço, Dijão, Ticande, Tatu, Rola, Gazimira, Nenem), que também partiram para o Orum e de lá nos veem Sambar. E se tem animação no Orum é o Samba feito por eles e elas.

Onde está nossa arma?

Por Zinoel Fontes

Hoje o dia nasceu escuro em nossa terra, pois a alegria da nossa Cultura de Vida Social está sendo transformada em um sentimento de impotência ante a barbárie que nos ronda.

Todas as perguntas que pensamos nos remetem à tristeza e a dor. Posso dizer que: quem nas próximas semanas irá se atrever a cantar um samba de Raízes de Saubara e não ficar triste com a falta de resposta na Vortinha da outra Parea? E se esse Samba for um Arma na Hora que nos faz sentir a emoção de ver todos os elementos bem afinados? No canto, no pandeiro, no corpo e nos pés bem miudinho?

Ainda tem os que apreciam a Fragata, os que se sentiam órfãos por saberem que nosso Marujo escolheu viver em meio ao Rio das Pratas e assim participar apenas no 04 de agosto em Saubara. Agora se sentem órfãos de pai e mãe.

Acho que por isso não seria apropriado a Farda da Fragata. Visto que nas próximas apresentações a dor seria maior.

Como superar isso? Poderia dizer várias formas, porém no final iria reconhecer que não se supera dores PROFUNDAS. Esse tipo de dor aprendemos a conviver.

Pois sempre iremos lembrar das voltinhas que o mundo dará em nós quando a violência nos deixar uma cadeira vazia, um pandeiro mudo, um lugar vago no ‘cordao’…

Isso significa que não há esperança?
Não.

Significa que somos filhos das águas e como tais sempre iremos tomar um novo fôlego antes do próximo mergulho… sempre iremos nos revezar no remo… sempre iremos mudar a posição das velas quando o vento inverter a direção…

Pois nossa arma é outra…
Nossa arma produz sorrisos que brotam do coração dos amantes da vida… Nossa arma contagia o outro no ato da umbigada… Ela nos reconecta aos nossos antepassados quando entendemos que a nossa vida tem que ser a continuação do trabalho deles e percebemos que não podemos fazer menos do que eles fizeram…

Onde está nossa arma?
Na FORÇA da RESISTÊNCIA, pois nos faz desenvolver estratégias de sobrevivência e efetuar conquistas com as PALAVRAS CANTADAS em nossas Manifestações de Cultura da Vida.

Exatamente há um mês VORTINHA se tornou IMATERIAL e há um dia ele virou IMORTAL.

Chegamos a um Porto

Por Rosildo Rosário
Fotos: Reinilson Rosário

No último dia 11 de fevereiro de 2019 o governador do Estado da Bahia assinou o decreto de nº 18.905 que, em seu artigo 1º reza: “Fica registrado no Livro de Registro Especial de Expressões Lúdicas e Artística as Cheganças, Marujadas e Embaixadas”.

Foram muitos os esforços de todos os envolvidos. Iniciamos os trabalhos em 04 agosto no ano de 2013, ocasião da realização do I Encontro de Cheganças da Bahia na cidade de Saubara. Éramos 3 grupos de Saubara, 2 de Camaçari (Arembepe) e 1 de Jacobina, Taperoá e Cairu. Ser reconhecido como Patrimônio Cultural é ser desafiado a continuar uma luta ancestral, é reforçar o pertencimento, é também reconhecer os novos tempos, entender as nossas responsabilidades com o bem cultural ao qual pertencemos e estarmos mais conscientes ao cobrar dos nossos pares que cumpram com as suas. Ser reconhecido como patrimônio é compreender a importância que temos para a construção de uma consciência coletiva, reforçando a cada instante nossa identidade a partir daquilo que produzimos com a força e resistência de bravos. Novos desafios se apresentam e, a partir de agora, precisaremos cada vez mais estar juntos para garantir vida longa à nossa tradição. Vamos, coletivamente, construir um sólido plano de salvaguarda para nos orientar como prosseguir.

Como parte desse processo iniciado em 2013, realizamos a partir de meados de 2017 a meados de 2018 um inventário que nos revelou a existência de 21 grupos ativos, em 14 municípios de 8 territórios de identidade:

• Extremo Sul (Alcobaça, Caravelas e Prado) grupos ( Embaixada de  Caravelas,  Marujada de Prado,  Embaixada de Prado, Marujada de Alcobaça e Embaixada de Alcobaça);

• Região Metropolitana de Salvador (Camaçari) grupos (Chegança Feminina de Arembepe e  Chegança Masculina de Arembepe);

• Recôncavo (Saubara) grupos (Chegança dos Marujos Fragata Brasileira,  Chegança Feminina Barca Nova e Chegança dos Mouros Barca Nova);

• Piemonte da Diamantina (Jacobina) grupo ( Marujada de Jacobina);

• Baixo Sul (Taperoá e Cairu)  grupos (  Chegança de Taperoá e  Chegança de Cairu);

• Chapada Diamantina (Andaraí e Lencóis) grupos ( Marujada do Espirito Santo de Andarai,  Marujada de Lençóis e Marujada  de Remanso – Lençóis);

• Sertão do São Francisco (Curaçá) grupo (Marujada de Curaçá);

• Velho Chico (Sitio do Mato, Bom Jesus da Lapa e Paratinga) grupos (Marujada de Mangal- Sitio do Mato,  Marujada de  Paratinga e  Marujada de Bom Jesus da Lapa).

Esse processo, revelou para nossa tristeza, que mais de 50 grupos deixaram de existir. Mas essa descoberta nos impulsiona a continuar nesse navegar em busca de novos portos. Este reconhecimento significa a abertura de novos tempos. Assim como os marujos estão em alto mar, vislumbra o horizonte, o registro como Patrimônio Imaterial, inaugura os caminhos de uma nova história, quando podemos contar com nossa própria voz e nosso próprio corpo. As gerações futuras saberão de nós, não ficaremos mais escondidos no folclore, nosso grito ecoará pelos becos e mares do mundo.

Se cada qual é para o que nasce, a Marujada surge para compor a história da Bahia. A sala é a rua e a história passará diante dos olhos, como se o mar fosse ali. “vamos remando que é para vencer, bela viagem haveremos de ter”. Êta, Marujada!

Saubara, 13 de fevereiro de 2019.

Reunião Rede e Encontro de Arembepe

Acontece no dia 24 de novembro de 2018 em Arembepe a 4ª REUNIÃO DA REDE DAS MARUJADAS E CHEGANÇAS DA BAHIA e o 2º ENCONTRO DE CHEGANÇAS DE AREMBEPE.

A IV Reunião da Rede das Marujadas e Cheganças da Bahia acontece no distrito de Arembepe, na cidade de Camaçari no dia 24 de Novembro de 2018. A beleza das ruas de Arembepe serão exaltadas pelo desfile de 05 grupos de Cheganças e Marujadas da Bahia.

Essa atividade é uma grande celebração cultural que Encerra o processo de construção e consolidação da Rede de Cheganças da Bahia. As três primeiras reuniões da Rede aconteceram nas cidades de Taperoá, Jacobina e Saubara e como esperado confirmaram a importância da caminhada em grupo, que se fortaleceram juntos, lutaram em prol de um Bem Comum, contornando todos os obstáculos e como diz o trecho da música da Fragata Brasileira, “…Levante os panos, que o vento vem chegando…” comemoram a “Chegada” do Registro definitivo das Cheganças, Marujadas e Embaixadas como Patrimônio Cultural da Bahia.

O Projeto da Rede de Cheganças foi fundamental no fortalecimento dos grupos, para chegar a essa etapa de finalização vários caminhos foram percorridos, reuniões, mobilizações, visitas, encontros fizeram parte do roteiro, e cada etapa foi essencial na consolidação dos objetivos.

A 4ª Reunião da Rede de Cheganças e Marujadas da Bahia acontece junto com o 2º Encontro de Cheganças de Arembepe, que esse ano homenageia a grande Mestra Bete pelo seu aniversário.

Estarão presentes os grupos das cidades de Arembepe, Saubara e Taperoá, e ainda representantes dos grupos de Baixio, Subauma e Barra do Jacuípe.

Além da apresentação pública dos grupos, e com a importante compreensão dos fazedores de cultura sobre o envolvimento e o espaço de cada grupo no movimento político cultural com suas identidades fortalecidas, acontece uma roda de conversa com todos os participantes.

A 4ª Reunião das Marujadas e Cheganças da Bahia é uma realização da Rede construída pelos grupos de Cheganças e Marujadas da Bahia, coordenada pela Associação Chegança dos Marujos Fragata Brasileira.

O quê?

4ª Reunião da Rede de Marujadas e Cheganças da Bahia / 2º Encontro de Cheganças de Arembepe

Quando?

24 de Novembro de 2018

Onde?

Barracão Comunitário – Arembepe – Camaçari/Ba

Horário?

A partir das 09h.

Contatos: (71) 98253-2579 – Rosildo | (75) 98178-1891 – Luciana | (71) 98253-2579 – Eliege

Venha para a maior festa de Cheganças da Bahia

O VI Encontro de Cheganças da Bahia acontece no município de Saubara nos dias 4 e 5 de agosto de 2018. Estarão se apresentando pelas ruas de Saubara 13 grupos de Cheganças e Marujadas da Bahia. É uma oportunidade de conhecer e valorizar as “Cheganças”, como bem cultural baiano.

Esse encontro é uma grande celebração cultural que coloca em cena uma importante amostra dessa manifestação popular bicentenária, que ganhou diferentes expressividades nos diversos territórios de identidade baianos.

Além da apresentação pública dos grupos, o Encontro de Chegança da Bahia é um importante espaço de diálogo entre os agentes fazedores de cultura e os promotores, principalmente o estado. Cada agente envolvido compreende melhor o seu papel no movimento político cultural, fortalecendo as identidades dos grupos populares.

Estarão presentes 13 grupos das cidades de Arembepe, Saubara, Taperoá, Cairu, Andaraí, Lençóis, Remanso, Paratinga, Curaçá e Jacobina e ainda representantes dos grupos das cidades Caravelas, Mangal, Alcobaça, Barra, Subaúma e Prado.

O VI Encontro de Cheganças da Bahia é uma realização da Associação Chegança dos Marujos Fragata Brasileira, em parceria com as prefeituras municipais dos grupos envolvidos.

 

PROGRAMAÇÃO

04 de agosto de 2018 (sábado)

4 horas, na ‘madrugada’
Bando anunciador e Alvorada
Pelas ruas da cidade

8h – Recepção às lideranças dos grupos visitantes
Café da manhã
Local: Sede da Chegança Fragata Brasileira

11h – Apresentação do Grupo Chegança Fragata Brasileira na Missa de São Domingos.
Local: Igreja Matriz – Paróquia de São Domingos de Gusmão

18h – Reunião da Rede de Cheganças, com representantes dos grupos de cheganças da Bahia e comunidade em geral.
Local: Sede da Chegança Fragata Brasileira

Dia 05 de agosto de 2018 (domingo)

9h – Mesa: Vamos remando que é para vencer!
Reunião entre as lideranças das Cheganças e representantes do Estado
Local: Galeria Saúva

15h – Desfile dos grupos
Local de saída: Rua do Lavador

17h – Apresentação dos grupos na Rua da Amendoeira
19h – Encerramento

O Projeto

É especial para a Associação Chegança dos Marujos Fragata Brasileira comemorar seus 40 anos de atividades, realizando em Saubara esse VI Encontro de Cheganças da Bahia. Comemora oferecendo à sua cidade o grande espetáculo que é ir às ruas para saudar São Domingos de Gusmão no dia 4 de agosto – sua data de tradição – junto com outros 13 grupos cheganceiros que estendem a festa até o dia seguinte.

Em sua incansável busca por ocupar o lugar merecido no cenário das manifestações populares na Bahia é que as Cheganças chegam a Saubara para a sexta edição do seu Encontro anual.  Esses grupos apresentam diferentes características nas diversas comunidades em que aparecem. Todos trazem memórias de acontecimentos de grande importância para a construção das narrativas históricas do nosso estado. Alguns contam histórias referenciadas nas lutas medievais entre Mouros e Cristãos, outros encenam passagens das guerras de independência da Bahia e louvam os santos católicos.

Com programação aberta a todos os interessados, o VI Encontro de Cheganças da Bahia visa o fortalecimento e envolvimento das comunidades   do   Recôncavo   Baiano   e   afirma-se como momento relevante de trocas de saberes e registro da memória da cultura popular. O público da Bahia e do Brasil tem, neste evento, a oportunidade de compreender, conhecer e valorizar as “Cheganças, marujadas e Embaixadas” como bem cultural que tão bem representa a história da Bahia.

Por isso é que cabe festejar outra grande conquista neste ano de êxitos que é a realização do Dossiê Etno Histórico das Cheganças e Marujadas da Bahia, último passo para a inscrição definitiva dessa manifestação no Livro de Registro Especial das Expressões Lúdicas e Artísticas do Estado da Bahia.

Com muita honra a Associação Fragata Brasileira apresenta os convidados para a sua festa de 40 anos, os membros da Rede de Cheganças e Marujadas, os grupos de ‘marujeiros’ e ‘cheganceiros’ que há séculos imprimem sua marca nos desenhos identitários do estado da Bahia.

Saubara

Chegança dos Marujos Fragata Brasileira

… vamos companheiros, vamos lá chegar, leva essa bandeira lá em Pirajá…

A Fragata Brasileira conta a história de um grupo de marinheiros que participam das lutas pela independência, protegendo a Baia de Todos os Santos contra invasores. Referências trazidas nas músicas evidenciam forte relação com a história da independência oficialmente contada.

Os cânticos e a movimentação cênica embalam o público em sentimentos como a saudade da mulher amada por conta da partida para o mar; força e esperança para enfrentar o inimigo; êxito e gratidão pelas vitórias e o retorno ao lar e à terra amada. O ritmo das marchas é dado pelos pandeiros, confeccionados artesanalmente em Saubara e tocados por todos os marujos do ‘cordão’.

Após conquistar a vitória, é feita uma reverência na igreja como agradecimento a São Domingos de Gusmão, que é o padroeiro da cidade. (…) Chegamos amigos, chegamos, com gosto e contentamento, vamos fazer reverência, ao Divino Sacramento (…) diz a canção que evidencia importante relação com a religiosidade.

É um grupo composto por homens adultos e algumas crianças. Como na maioria das Marujadas, suas vestimentas imitam o fardamento da marinha. É divertido quando encenam desentendimentos entre os marujos e seus superiores, as chamadas ‘rezingas’ ou reclamações.

Os oficiais, além das vestimentas diferenciadas, usam espadas que saem da bainha uma única vez, no momento do combate, quando executam uma coreografia – o bailado. Esse é um ponto alto da apresentação.

Chegança de Mouros Barca Nova

Esta Chegança apresenta uma disputa entre mouros e cristãos (os marujos portugueses) há mais de 100 anos, em Saubara. Parte da apresentação é cantada, ao ritmo dos pandeiros, com trechos falados, lembrando um teatro de rua. Além dos marinheiros e dos representantes da ‘corte vermelha’ os infiéis, não batizados, esse grupo apresenta uma curiosidade entre seus personagens que é a presença de um oficial do exército, convocado para enfrentar o filho do imperador turco num duelo de espadas. Estão presentes os cânticos de saudade e de louvor a São Domingos de Gusmão.

Chegança Feminina Barca Nova

Este grupo reinventou a tradição das Cheganças em Saubara que até então só permitia a participação de homens. Mulheres de diversas idades mostram um belo exemplar deste ‘teatro embarcado’ em que as disputas entre mouros (a corte da Mauritânia) e os cristãos (marujas portuguesas) é narrada por um destacado coro de vozes femininas. Com exceção das oficiais de alta patente, que levam espadas e usam fardamento diferenciado, todas as demais usam roupas de marinheiras e tocam pandeiros. Elas posicionam-se em duas filas paralelas, o chamado cordão, que formam o contorno de um barco e saem às ruas de Saubara no dia 4 de agosto, quando participam da festa do padroeiro da cidade, São Domingos de Gusmão.

Camaçari

Chegança de Mouros de Arembepe

Na Chegança de Mouros de Arembepe, os personagens, tripulantes da marinha com diferentes patentes, contam parte da história vivida na época da invasão portuguesa, das guerras de religião e das grandes embarcações piratas. Esses, representando os cristãos, lutam contra os Mouros dentro de uma embarcação em alto mar, utilizando a música e a dança – ao som dos pandeiros – como recursos artísticos. O grupo, formado por homens, está em atividade há mais de 60 anos e não tem uma data fixa de apresentação. Participa da festa do Padroeiro São Francisco de Assis, dia 4 de outubro e de outras festas na cidade.

Chegança Feminina de Arembepe

Fundada em 2002 a Chegança Feminina de Arembepe é uma das únicas duas na Bahia, formadas exclusivamente por mulheres. Foi criada por iniciativa de um grupo da terceira idade. As marinheiras encenam a chegada dos portugueses no Brasil. Nas tentativas de vinda de Portugal para o Brasil um barco ficou à deriva. Houve uma batalha entre os portugueses e os turcos, daí os portugueses venceram a batalha e chegando ao Brasil foram comemorar. Junto com o coro de vozes, tocam pandeiros e cantam músicas que narram esta trajetória num bailado que imita o balanço do mar.

Cairu

A Chegança de Cairu, formada por homens adultos e crianças, atua entre os dias 26 de dezembro e 6 de janeiro, quando a pequena Cairu está sob o comando do Reinado de São Benedito. Participa dos festejos para o Santo e em suas evoluções pelas ruas, sem uma estrutura dramática definida, apresenta danças e cânticos que remetem às grandes navegações portuguesas. Destaca-se a sonoridade dada pela presença de duas cornetas de plástico que o mestre e o contramestre sopram, seguindo o ritmo dos pandeiros, tocados por todos os demais integrantes.

Jacobina

O tilintar das castanholas e a melodiosa viola, somados aos pandeiros, conferem uma sonoridade peculiar à encenação da Marujada de Jacobina. São homens que se caracterizam como marinheiros de diversas patentes e narram suas aventuras de sobrevivência nas travessias marítimas. Louvam São Benedito a quem está relacionada toda a sua simbologia de origem, pois era o Santo devotado pelos negros às escondidas dos coronéis da mineração. A segunda-feira após o domingo de pentecostes, dia dedicado a esse Santo, é a principal data da sua apresentação.

Lençóis

A Marujada Barcas em Rios tem sua origem ligada aos movimentos do garimpo na região. O grupo que se apresenta na festa do Padroeiro Senhor Bom Jesus dos Passos recebeu influências da Marujada de Andaraí e logo ganhou corpo e contornos particulares de Lençóis. Sua forma de atuação comunitária vislumbra a inserção na sociedade. É o espaço do lazer, da articulação com a Igreja e da diversão. Depois de um período inativa, retomou seus ensaios em 2015 e é composta em sua maioria por crianças e adolescentes, meninas e meninos. O entusiasmo dos pequenos marinheiros é visível no vigor com que dançam sem perder o ritmo da batida da caixa e dos pandeiros.

Remanso (Lençóis)

A Marujada Quilombo Remanso conta a história da chegada dos portugueses no Brasil. É uma representação teatralizada com homens e mulheres vestidos de marinheiros e oficiais. Eles tocam um tamborzinho artesanal – a caixa, pandeiros e levam um pequeno pedaço de madeira. O atual Mestre, Aurino Pereira, era o ração, única criança do grupo, quando João Pereira, sob influência do primo Manezinho do Remanso, foi aprender a fazer marujada com o mestre Ceciliano, de Lençóis, em torno de 1949. Desde então, o grupo se apresenta em festas e eventos populares nas cidades.

Taperoá

A Chegança de Taperoá apresenta a saga do mouro argelino numa disputa religiosa em que a vitória dos cristãos é simbolizada pelo batismo do mesmo em nome do senhor Jesus Cristo. Ele ressuscita depois de morto por aceitar a lei e a fé crista. São os marinheiros que contam a história, um grande enredo, cantado e falado, com estrutura dramática bem definida. É como se estivessem embarcados, em alto mar. Os pandeiros e o apito do mestre são utilizados para marcar o ritmo, seguido de um pujante coro de vozes.

Andaraí

A Marujada de Andaraí foi criada em menção à Escola de Sagres e às conquistas de Portugal. A apresentação tradicional do grupo ocorre durante a Festa do Divino, quando acompanha o cortejo religioso com seus cânticos de mar e de guerra. Os marujos desenvolvem também coreografias ao que chamam Chegança de Marujos. A dança é representada por um grupo de homens vestidos de branco e azul, que saem como marujos, general e capitão. Desfilam pela cidade, cantando e dançando músicas relacionadas ao mar e às batalhas portuguesas. Além do coro de vozes, sua sonoridade é dada apenas pelos pandeiros.

Curaçá

A Marujada de Curaçá apresenta-se no dia 31 de dezembro, em louvor a São Benedito. O front do cortejo é composto pela pessoa que toca a viola –  atualmente uma mulher – e pelos mestres que tocam pandeiro e iniciam as cantigas. Seja pela ancestralidade, pela herança da família, seja pelo pagamento de uma promessa ou simplesmente por gostar da Marujada, aproximadamente 200 pessoas participam da brincadeira. São mulheres, homens, adolescentes, crianças e alguns idosos que se vestem como marujos e carregam seus pandeiros para abrilhantar o cortejo. As roupas brancas ganham contornos vermelhos e detalhes com laços de fita amarrados em várias partes da camisa, enquanto os chapéus são enfeitados com papel crepom e fitas rigor. São adereços que acrescentam um especial colorido a esse grupo.

Paratinga

Eu sou amante guerreiro amante guerreiro, amante guerreiro, combato para vencer, combato para vencer / Eu entrego o meu peito bala o meu peito a bala pela Marinha eu vou morrer.

Na Marujada do Divino Espírito Santo, ​desde 1919, os marinheiros representam histórias variadas das grandes navegações do​s séculos​ XV, XVI ​e XVII​, a chegada dos Portugueses no Brasil, relatos de naufrágios, danças e dramas, combates entre oficiais dentro da embarcação. ​O momento ritualístico da Chegança em Paratinga acontece durante a Festa do Divino Espírito Santo, em junho. Antigos mestres contam que nesse dia, marinheiros que estavam ​à​ deriva em alto-mar chegaram em terra firme. Até hoje, o grupo encena essa “chegança”, levando “seu barco” composto por homens e mulheres pelas ruas da cidade.

Viva, viva, viva o espírito santo que nos trouxe em salva terra embrulhado no seu manto / Todos com prazer em terra saltamos com o favor Espirito Santo nós aqui chegamos / Nós aqui chegamos nesta terra boa e daqui nós não saímos nós viemos de Lisboa.

Com cantos, danças, ao som dos pandeiros e “facões” (simbolizando as espadas) apresentam uma enorme diversidade de cânticos em cenas coreografadas.